terça-feira, 30 de junho de 2009

Warhol says it all



Daqui.

Um compositor em alta: Jeneci



O cara tem uns 25 anos de idade e já tem 10 de carreira. Foi da banda do Chico César, assinou canções com Arnaldo Antunes, Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit, fez o hit da novela que a Vanessa da Mata canta, toca acordeom e violão e tem uma sensibilidade melódica muito grande. Já saiu na Ilustrada, no blog do Evangelista, e o MySpace dele é sensacional. Longe consegue fugir da prosaica introdução e virar um acalanto modulante, desses que é difícil ver em composições assim.


Ele colocou duas demos novas, lindas, no MySpace. Felicidade tem clima, e esse é o maior mérito de uma composição: evocar um estado, um transe, uma catarse que dure pelo menos a canção. E a Laura ajuda nas vozes lindas e no cello.


De Wayfarer, camiseta Kiss Roberto, Vans quadriculado, Marcelo sintetiza um lirismo pessoal com a fina-flor da música brasileira e uma estética pop sofisticada.

Sarney memorabilia


Melhor que aqueles bottons de banda ou aqueles de fotos manjadas da internet, tipo raio-x da cabeça do Homer, manja? Vale lembrar que isso é ainda da época que ele tinha relações com o regime militar...


Tirei do É tudo política.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sandman on the silverscreen... again

E pela milésima vez o Neil Gaiman fala sobre a adaptação de Sandman num longa-metragem.

Ah, vai, parece que ele não vai fazer nunca.

laissez faire laissez passer

circum-lóquio
(pur troppo non allegro)
sobre o neoliberalismo
terceiro-mundista


5.
o neoliberal
sonha um mundo higiênico:
um ecúmeno de ecônomos
de economistas e atuários
de jogadores na bolsa
de gerentes
de supermercado
de capitães de indústria
e latifundários de
banqueiros
- banquiplenos ou
banquirrotos
(que importa?
dede que circule
autoregulante
o necessário
plusvalioso
numerário)
um mundo executivo
de mega-empresários
duros e puros
mós sem dó
mais atento ao lucro
que ao salário
solitários (no câncer)
antes que solidários:
um mundo onde deus
não jogue dados
e onde tudo dure para sempre
e sempremente nada mude
um confortável
estável
confiável
mundo contábil.

- / -


Vou começar pelo 5., o que eu mais gosto. Toda vez que eu leio o circum-lóquio, do Haroldo de Campos, eu fico pensando nesse muito contábil em que eu vivo hoje. De qualquer forma, bom pra caramba.

Os/As chapas do jazz


Se liga nessa foto do Chick Corea, pelo Francis Wolff. Esse cara é o fundador da Blue Note, um dos sacrossantos selos americanos de jazz. Também é o fotógrafo desse set no flickr. Vale lembrar das famosas Blue Train Sessions, disco lindo do Coltrane que ele fotografou, entre outros mil. Dá uma olhada aqui.

A dica eu peguei do Evangelista.

Esqueci


Quase Nada são as Drágeas do Laerte. E são tão bonitas quanto.

Tem um set inteiro delas no flickr dos pãezinhos Moon e Bá.

Toma própolis


Dica do 10 Pãezinhos.

An understanding Laerte


Alguém que compreende. Lembro de ter visto uma mesa redonda no SESCTV com o Júlio Medaglia, o mediador do SESC e um jornalista cultural – se não me falha a memória, o Tárik de Souza. Eles falavam dessa nova forma de consumir música: como se fossem esteróides; foninhos brancos 24/7, nonstop.


Lá do Manual do Minotauro.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sou uma placa fotográfica prolixamente impressionável...

...Todos os detalhes se me gravam desproporcionalmente a haver um todo. Só me ocupa de mim. O mundo exterior é-me sempre evidentemente sensação. Nunca esqueço o que sinto.

Pessoa, como Bernardo Soares, no Livro do Desassossego.


Identifiquei-me um certo bocado com a “depressão calma e suave” que moveu Pessoa pelas páginas de seu livro-mosaico. “Depressão”, vá lá, é uma expressão forte; esse primeiro semestre quebrou alguns eixos em que eu jazia, o que me criou um certo descontentamento, uma petit tristesse, um hiato em que eu contrabalanceio todos os ganhos e perdas no (ou na?) Razão. Mas é uma tristeza boa. Introspectiva, inquietamente calma. Contemplativa.


Elis & Tom, 30 anos depois

Virgínia Rodrigues foi um dos maiores – e ao mesmo tempo mais obscuros – fenômenos da música brasileira. Passou a maior parte da sua vida como lavadeira na Bahia, sua terra natal. Quando participou de uma peça de teatro, daquelas direcionadas à população carente, e cantou no último ato, as coisas tomaram outro rumo. Acontece que Caetano Veloso acabou descobrindo-a. Em dois tempos gravaram um disco, de canções sumariamente afro-brasileiras. Em um ano de carreira, tocara no Carnegie Hall, em meia Europa e foi considerada a cantora preferida do Bill Clinton. Não que o cara manje muito de música, mas qualquer pessoa preferida do presidente dos EUA é digna de algum reconhecimento mundial.


Pois é. Menos no Brasil. Longe de fazer a já-manjada crítica ao colonialismo brasileiro – Virgínia tem seu público em terra brasilis: modesto em relação ao resto do mundo, mas é assim com a maioria dos músicos de prestígio no país.


Tudo isso pra chegar em Recomeço, seu último disco. Eu não sou o maior fã do repertório de exaltação a Ogum que a consagrou; e esse último disco, embora conceitualmente mais pobre que seus predecessores – todos com certo chauvinismo afro-brasileiro – por ser um apanhado de standards da música brasileira, acabou saindo mais bonito.



Um disco de standards é uma fórmula batida, que no entanto ainda é muito usada pelos intérpretes nova-Velha Guarda, que, apesar de tecnicamente impecáveis – aqui incluem-se Mônica Salmaso, Teresa Cristina, Ná Ozzetti e a própria Virgínia –, cantam as gemas da música brasileira com saudosismo de quem não acredita numa revitalização da música brasileira – o que de fato está ocorrendo, mesmo que, digamos, mais pop e cosmopolita do que compositores pré-Beatles, pré-globalização: seja Ary, Caymmi, Noel, Lupicínio...


Virgínia seleciona um cancioneiro perolado para a feitura de seu disco: composições de Francis Hime, Chico Buarque, Edu Lobo e A.C. Jobim, com a produção e arranjos competentes de Cristóvão Bastos, que assina com Chico a faixa de abertura, Todo o Sentimento.


No entanto, atentem-se à penúltima canção do disco: Porto de Araújo, uma parceria de Guinga com Paulo César Pinheiro. É o motivo do post inteiro. É o momento em que a cantora mais competente do país encontra o compositor mais genial em atividade. Eu não escuto nada parecido desde Elis & Tom. É sublime. Merece pôr no repeat.


A gripe do Francis




Gay Talese colou na FLIP. Notícia velha, mas só deu pra pôr agora aqui. Ele publicou o ensaio Frank Sinatra has a cold na revista Esquire em 1966, e adoram-no até hoje. É um dos grandes caras do New Journalism, o jornalismo literário.


Como disse Frank, Jr., Frank Sinatra has a cold é um retrato da Voz supernormal, e não superumana, como todos pensam. É a placa fotográfica do Frank Sinatra que usa a mesma marca de cueca que sua mãe costumava comprar, que cresceu numa vizinhança sul-italiana em New Jersey, e que nunca, nunca perde a compostura, independente de quanto álcool fora consumido, de quão mentalmente ou fisicamente está abalado. O crooner seguia um Bushido.


O ensaio é lindo. Me fez gostar do cara, da pessoa. Eu pessoalmente não sou o maior fã de crooners, mas o cara tem muita coisa boa – eu gostei dos dois discos com o Jobim, e o Moonlight Sinatra. Eu gosto muito dessa coisa de jornalismo literário.


A foto eu tirei do the impossible cool.

Cartun mashup


Laerte vs. Ruy Barbosa. Eu gosto dessas tiras sem punchline, sem tortada na cara nem claque.

Tirei do Manual do Minotauro.