sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Jobim de marfim

O Bluebus noticiou no twitter que Messiê Jobã vai ganhar uma estátua no Galeão. Bonito né? Porra, eles têm o Drummond e o Tom -- 1 dos Antonios e o Jobim do Zuenir Ventura --, São Paulo não vai ter nada assim não? Baden Powell, só o escoteiro, e malemá um Adoniran Barbosa.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Música microeconômica

Já falaram bastante de terceirização de música, mas nunca colocaram em números. Imagine, digamos, uma cantora de axé. Dummy: Ivete Sangalo.

Exemplificarei minha tese com um hit: Abalou, abalou / Sacudiu, balançou / Coração é felicidade. O último verso fica por conta da muvuca. Não consideramos no modelo o refrão – normalmente cantado pelo público – e as frases incidentais ao longo do show.

Supomos também que, coeteris paribus, as canções tem três estrofes. Podemos deduzir que, a cada canção de três estrofes, a intérprete deixa de cantar uma. Digamos que o setlist seja de 20 músicas. Ivetinha, portanto, daria o migué em deixar o povão cantar 6,6666666... músicas. Arredondemos, pois, para apenas seis; a dízima fica para mensagens & dizeres residuais durante o concerto – “Sai do chão” / “Comigo” / “Na palma da mão” e “Alôôô [cidade onde estou fazendo o show]”.

Moral da história: você paga 200 mangos pra se espremer – algumas vezes somente pela nobre causa da conjunção libido-carnal – entre um milhão de fãs histéricas, disfuncionais e alguns heróis empenhados no santo ofício (as únicas pessoas que estariam dispostas a situações tão insalubres) num campo de futebol, mal conseguindo escutar o que a moça de collant de couro tá gritando em cima de uma moto com dois Jesus Luzes (plural de Jesus, alguém?), e ainda canta 30% do que ela deveria cantar? Prefiro o Vila Country.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Thou sprach Zarathustra

O eclipse mais longo do século.

Cara, sensacionais as fotos. Sempre cortesia do Big Picture @ Boston.com

terça-feira, 21 de julho de 2009

Cara, a OMB já era?

Vejam.

Eu nem acredito quando o progresso é assim, descarado. Tanta gente brigou...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mainardi: PIMP

Se liga na coluna do Mainardi malhando Chico Buarque com o aval de uma escritora irlandesa.

O cara é, no mínimo, foda. Ele escreve isso no semanal de maior circulação do país! Palmas.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Passos Largos

Batido, mas adoro esse vídeo.




Só que meu preferido é esse aqui, que rola a partitura mesmo, bpm no talo:

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um cartum a mais


Cartuns da New Yorker são sensacionais. Mas esse tipo de strip não goza de muita popularidade em terreno tupiniquim, onde CQC é considerado humor "inteligente" e qualquer coisa mais elaborada é taxada de hermética ou nerd.

Cartoon Bank.

Eu te amo


1, little 2, little 10 little breads.

Gay Talese pelo OI

O Observatório da Imprensa pôs uma notinha da participação do Gay Talese na FLIP, que eu já tinha falado aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sentado nas docas.



A Carol Celta fez essa (puta) ilustração (foda), baseada na classuda (Sittin' on) The dock of the bay, do Otis Redding. Ela fez outras, convidada pelo vladivostok.

Lindo, né?

Eu sou horríver! Infernar!



Chico Bento homenageando Michael Jackson com a melhor versão de Thriller da face da Terra.

Do Trabalho Sujo.

Veja on Honduras

Reinaldo Azevedo escreveu um post... incisivo, digamos, sobre Honduras.

Leia e tire suas próprias conclusões.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Warhol says it all



Daqui.

Um compositor em alta: Jeneci



O cara tem uns 25 anos de idade e já tem 10 de carreira. Foi da banda do Chico César, assinou canções com Arnaldo Antunes, Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit, fez o hit da novela que a Vanessa da Mata canta, toca acordeom e violão e tem uma sensibilidade melódica muito grande. Já saiu na Ilustrada, no blog do Evangelista, e o MySpace dele é sensacional. Longe consegue fugir da prosaica introdução e virar um acalanto modulante, desses que é difícil ver em composições assim.


Ele colocou duas demos novas, lindas, no MySpace. Felicidade tem clima, e esse é o maior mérito de uma composição: evocar um estado, um transe, uma catarse que dure pelo menos a canção. E a Laura ajuda nas vozes lindas e no cello.


De Wayfarer, camiseta Kiss Roberto, Vans quadriculado, Marcelo sintetiza um lirismo pessoal com a fina-flor da música brasileira e uma estética pop sofisticada.

Sarney memorabilia


Melhor que aqueles bottons de banda ou aqueles de fotos manjadas da internet, tipo raio-x da cabeça do Homer, manja? Vale lembrar que isso é ainda da época que ele tinha relações com o regime militar...


Tirei do É tudo política.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sandman on the silverscreen... again

E pela milésima vez o Neil Gaiman fala sobre a adaptação de Sandman num longa-metragem.

Ah, vai, parece que ele não vai fazer nunca.

laissez faire laissez passer

circum-lóquio
(pur troppo non allegro)
sobre o neoliberalismo
terceiro-mundista


5.
o neoliberal
sonha um mundo higiênico:
um ecúmeno de ecônomos
de economistas e atuários
de jogadores na bolsa
de gerentes
de supermercado
de capitães de indústria
e latifundários de
banqueiros
- banquiplenos ou
banquirrotos
(que importa?
dede que circule
autoregulante
o necessário
plusvalioso
numerário)
um mundo executivo
de mega-empresários
duros e puros
mós sem dó
mais atento ao lucro
que ao salário
solitários (no câncer)
antes que solidários:
um mundo onde deus
não jogue dados
e onde tudo dure para sempre
e sempremente nada mude
um confortável
estável
confiável
mundo contábil.

- / -


Vou começar pelo 5., o que eu mais gosto. Toda vez que eu leio o circum-lóquio, do Haroldo de Campos, eu fico pensando nesse muito contábil em que eu vivo hoje. De qualquer forma, bom pra caramba.

Os/As chapas do jazz


Se liga nessa foto do Chick Corea, pelo Francis Wolff. Esse cara é o fundador da Blue Note, um dos sacrossantos selos americanos de jazz. Também é o fotógrafo desse set no flickr. Vale lembrar das famosas Blue Train Sessions, disco lindo do Coltrane que ele fotografou, entre outros mil. Dá uma olhada aqui.

A dica eu peguei do Evangelista.

Esqueci


Quase Nada são as Drágeas do Laerte. E são tão bonitas quanto.

Tem um set inteiro delas no flickr dos pãezinhos Moon e Bá.

Toma própolis


Dica do 10 Pãezinhos.

An understanding Laerte


Alguém que compreende. Lembro de ter visto uma mesa redonda no SESCTV com o Júlio Medaglia, o mediador do SESC e um jornalista cultural – se não me falha a memória, o Tárik de Souza. Eles falavam dessa nova forma de consumir música: como se fossem esteróides; foninhos brancos 24/7, nonstop.


Lá do Manual do Minotauro.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sou uma placa fotográfica prolixamente impressionável...

...Todos os detalhes se me gravam desproporcionalmente a haver um todo. Só me ocupa de mim. O mundo exterior é-me sempre evidentemente sensação. Nunca esqueço o que sinto.

Pessoa, como Bernardo Soares, no Livro do Desassossego.


Identifiquei-me um certo bocado com a “depressão calma e suave” que moveu Pessoa pelas páginas de seu livro-mosaico. “Depressão”, vá lá, é uma expressão forte; esse primeiro semestre quebrou alguns eixos em que eu jazia, o que me criou um certo descontentamento, uma petit tristesse, um hiato em que eu contrabalanceio todos os ganhos e perdas no (ou na?) Razão. Mas é uma tristeza boa. Introspectiva, inquietamente calma. Contemplativa.


Elis & Tom, 30 anos depois

Virgínia Rodrigues foi um dos maiores – e ao mesmo tempo mais obscuros – fenômenos da música brasileira. Passou a maior parte da sua vida como lavadeira na Bahia, sua terra natal. Quando participou de uma peça de teatro, daquelas direcionadas à população carente, e cantou no último ato, as coisas tomaram outro rumo. Acontece que Caetano Veloso acabou descobrindo-a. Em dois tempos gravaram um disco, de canções sumariamente afro-brasileiras. Em um ano de carreira, tocara no Carnegie Hall, em meia Europa e foi considerada a cantora preferida do Bill Clinton. Não que o cara manje muito de música, mas qualquer pessoa preferida do presidente dos EUA é digna de algum reconhecimento mundial.


Pois é. Menos no Brasil. Longe de fazer a já-manjada crítica ao colonialismo brasileiro – Virgínia tem seu público em terra brasilis: modesto em relação ao resto do mundo, mas é assim com a maioria dos músicos de prestígio no país.


Tudo isso pra chegar em Recomeço, seu último disco. Eu não sou o maior fã do repertório de exaltação a Ogum que a consagrou; e esse último disco, embora conceitualmente mais pobre que seus predecessores – todos com certo chauvinismo afro-brasileiro – por ser um apanhado de standards da música brasileira, acabou saindo mais bonito.



Um disco de standards é uma fórmula batida, que no entanto ainda é muito usada pelos intérpretes nova-Velha Guarda, que, apesar de tecnicamente impecáveis – aqui incluem-se Mônica Salmaso, Teresa Cristina, Ná Ozzetti e a própria Virgínia –, cantam as gemas da música brasileira com saudosismo de quem não acredita numa revitalização da música brasileira – o que de fato está ocorrendo, mesmo que, digamos, mais pop e cosmopolita do que compositores pré-Beatles, pré-globalização: seja Ary, Caymmi, Noel, Lupicínio...


Virgínia seleciona um cancioneiro perolado para a feitura de seu disco: composições de Francis Hime, Chico Buarque, Edu Lobo e A.C. Jobim, com a produção e arranjos competentes de Cristóvão Bastos, que assina com Chico a faixa de abertura, Todo o Sentimento.


No entanto, atentem-se à penúltima canção do disco: Porto de Araújo, uma parceria de Guinga com Paulo César Pinheiro. É o motivo do post inteiro. É o momento em que a cantora mais competente do país encontra o compositor mais genial em atividade. Eu não escuto nada parecido desde Elis & Tom. É sublime. Merece pôr no repeat.


A gripe do Francis




Gay Talese colou na FLIP. Notícia velha, mas só deu pra pôr agora aqui. Ele publicou o ensaio Frank Sinatra has a cold na revista Esquire em 1966, e adoram-no até hoje. É um dos grandes caras do New Journalism, o jornalismo literário.


Como disse Frank, Jr., Frank Sinatra has a cold é um retrato da Voz supernormal, e não superumana, como todos pensam. É a placa fotográfica do Frank Sinatra que usa a mesma marca de cueca que sua mãe costumava comprar, que cresceu numa vizinhança sul-italiana em New Jersey, e que nunca, nunca perde a compostura, independente de quanto álcool fora consumido, de quão mentalmente ou fisicamente está abalado. O crooner seguia um Bushido.


O ensaio é lindo. Me fez gostar do cara, da pessoa. Eu pessoalmente não sou o maior fã de crooners, mas o cara tem muita coisa boa – eu gostei dos dois discos com o Jobim, e o Moonlight Sinatra. Eu gosto muito dessa coisa de jornalismo literário.


A foto eu tirei do the impossible cool.

Cartun mashup


Laerte vs. Ruy Barbosa. Eu gosto dessas tiras sem punchline, sem tortada na cara nem claque.

Tirei do Manual do Minotauro.


sábado, 28 de março de 2009

Bolero Blues


















Ai, prenda minha, verde-preta que me abate,

Andorinha no abacate, luto sobre o beija-flor...
Salve Rainha, chega dessa ladainha,
Que o amor que tu me tinha era pouco e se acabou


("Simples e Absurdo" - Guinga/Aldir Blanc)

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Começa aqui o Simples e Absurdo. É o primeiro, tal qual o disco do Guinga; imprevisível, surreal, onírico, verde, incomum -- ainda estranho para os primeiro ouvintes.

E publicamos a primeira postagem com uma virada astral -- meu aniversário. Não que haja algo especial nisso; o dia transcorre monótono e como outro sábado qualquer de movimento pouco e alguma chateação, com previsão de chuva e dor de cabeça. Mas temos algumas felicidades: a abertura do blog, os songbooks do Ary Barroso emprestados.

Ironicamente, o nome do post é de uma música do Chico. Tava escutando enquanto criava o blog. É bem parecida com hoje, oscilando entre frases maiores e menores. Como diz o Jobim, é "profissão de urubu": ser alegre e tristonho ao mesmo tempo...